Antônio Carlos Navarro em atividade durante palestra espírita: missão nobre na seara humana. (Fotos: Acervo Pessoal)

Antônio Carlos Navarro em atividade durante palestra espírita: missão nobre na seara humana. (Fotos: Acervo Pessoal)

Pedir a um homem do quilate moral de Antônio Carlos Navarro para se definir, como normalmente peço aos entrevistados que semanalmente ilustram esta seção, é uma tarefa quase insólita.

Navarro, 57 anos, é dessas figuras raras que vieram ao mundo sem a necessidade de holofotes, mas inundados de luz própria. Daí o desprendimento e surpresa, ambos naturais, quando convidados a se auto-apresentarem publicamente.

“Eletrotécnico e aposentado da Companhia Paulista de Força e Luz”, elencou ele, de maneira singela, iniciando nossa conversa. E que honra, confesso, ter um eletrotécnico do seu gabarito no hall de entrevistados. Mas Antônio Carlos Navarro, todos os que o conhecem sabem, é muito mais que isso.

Com Hélia, a esposa.

Com Hélia, a esposa.

Ele é, por exemplo, um dos fundadores e dirigentes do Centro Espírita Francisco Cândido Xavier, que fica no Solo Sagrado, em Rio Preto, um dos bairros mais carentes da cidade. Desenvolve a função ‘apenas’  há 29 anos. E que função!

Além de administrar carinho e atenção em doses nada homeopáticas de caridade, Navarro também profere palestras espíritas como poucos o fazem. Sim, repito, o homem faz parte de um elenco abençoado de seres humanos que reencarnaram na Crosta Terrestre com a nobre missão de ser ‘farol’.

Perguntado também se possui hobbies, Navarro responde que a leitura está entre as primeiras atividades que o relaxam. “Também adoro passear com a família”, emenda, acrescentando que é casado em segundas núpcias com Hélia, pai de dois filhos homens e avô de um casal de netos “do primeiro casamento”, além de uma filha e de um neto “adotivos” do segundo.

A seguir, Antônio Carlos Navarro diante de Proust. É dura a vida do trapezista questionador.

Qual é sua maior qualidade?

A boa vontade, embora entenda que é uma obrigação natural.

E seu maior defeito?

A ignorância e a precipitação.

A coisa mais importante em um homem?

A honestidade, em tudo.

E em uma mulher?

O coração.

O que você mais aprecia nos seus amigos?

O companheirismo responsável.

Sua atividade favorita é…

Ser útil.

Qual é sua ideia de felicidade?

Consciência tranquila.

E o que seria a maior das tragédias?

A recrudescência do pessimismo.

Quem você gostaria de ser, se não fosse você mesmo?

Alguém mais inteligente.

E onde gostaria de viver?

Dentro de mim mesmo. Estou trabalhando para isso.

Qual sua cor favorita?

Azul.

Uma flor?

Orquídea.

Um pássaro?

Arara vermelha.

Seus autores preferidos?

Francisco Cândido Xavier, Erich Fromm, J. Herculano Pires, Marcelo Gleiser… E não há como não admirar Espinosa e Cervantes.

Centro Francisco Cândido Xavier, no Solo Sagrado, em Rio Preto: 29 anos iluminando quem precisa.

Centro Francisco Cândido Xavier, no Solo Sagrado, em Rio Preto: 29 anos iluminando quem precisa.

E os poetas de que mais gosta?

Não tenho poetas preferidos. Admiro muito a poesia que toca a inteligência e o coração. No entanto, é muito reconfortante a poesia de Maria Dolores (Espírito).

Quem são seus heróis de ficção?

Homem-Aranha e Super-Homem.

E as heroínas?

A Feiticeira.

Seu compositor favorito é…

São muitos, mas ficando nos brasileiros, gosto de Chico Buarque (para o dia), e Roberto Carlos (para a noite).

E os atores que você mais curte?

Mateus Solano, Matheus Nachtergaele, Selton Melo, Fernanda Montenegro, Tom Hanks, Antony Hopinks, Morgan Freeman, e muitos outros.

Quem são suas heroínas na vida real?

Ivone do Amaral Pereira, Irmãs Dulce e Tereza de Calcutá, Zilda Arns, Mamãe Luiza e a minha Hélia.

E quem são seus heróis?

Chico Xavier e Papai Miguel.

Qual é sua palavra favorita?

Obrigado.

O que você mais detesta?

O pessimismo.

Quais são os personagens históricos que você mais despreza?

Não se trata de desprezo, mas motivo de lamento: os violentos, de todo tipo.

Quais os dons da Natureza que você gostaria de possuir?

Aceitação e adaptabilidade.

Como você gostaria de morrer?

Consciente. Já passei por uma experiência de quase morte. Foi muito interessante e confortador.

Como você está se sentindo nesse momento?

Surpreso pelo convite para esta entrevista.

Que defeito é mais fácil perdoar?

Aquele que, depois de praticado, é seguido por um sincero pedido de perdão.

Qual é o lema da sua vida?

É a vida, adapte-se.

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