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#PolêmicaDoDia: O transexual crucificado da Parada Gay e a confusão que uma imagem provoca em quem não dormiu direito

Publicado dia 08 de junho de 2015 às 16:11. Última atualização: 08 de junho de 2015 às 17:11. 1 comentário.


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Manhê, bombei na web! (Foto: Reprodução)

E a polêmica desta segunda-feira (8) gira em torno de Viviany Beleboni, o transexual que desfilou crucificado, ontem, na 19ª Parada Gay de São Paulo. Berê, meus ansiolíticos, plis! 

Eu mesmo, num primeiro momento, perguntei no Twitter qual a relação do protesto com o ‘orgulho’ LGBT, que vem a ser a mola propulsora da Parada. Confesso que quando vi a foto de Viviany escoando pelo ralo da mídia não entendi de pronto a mensagem. Meu maior índice de delay para tudo o que é pop sempre ocorre às segundas, sorry. 

Sobretudo quando você passa o fim de semana sem dormir porque a nova boate sertaneja que abriu em frente à sua casa não tem isolamento acústico. Coragem…

Mas a resposta sobre o protesto não tardou a chegar. Alguns colegas me enviaram inboxes através do Facebook explicando que a performance em si quis chamar a atenção para os gays que são “diariamente crucificados com os pregos da homofobia” e perseguidos por assumirem sua condição sexual, em uma alusão espontânea a Jesus Cristo.

Oquei, Cristo não era gay. Mas seu amor pelos homens, sabemos, sempre foi universal. Essa parte do protesto eu entendi. Mas tem quem não entendeu e já espalha por aí que Viviany, a serviço de Satanás, colocou na berlinda a sexualidade do Filho do Homem. Berê, mais ansiolíticos, plis!

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Montagem com a manifestante, Madonna e Neymar: quem mais sofreu?

Daí surge outra imagem. Na verdade, uma montagem com as fotos da musa transexcrucificada’, do jogador Neymar, quando este apareceu crucificado na capa da Revista Placar e, outra mais bafônica, da cantora Madonna, quando surgiu crucificada durante sua turnê ”Confessions Tour”. Essa imagem da diva pop continua épica e rendeu horrores na bacia das almas, lá no umbral de 2006.

Pois bem, a ideia da montagem eu entendi. Tipo assim, Neymar e Madonna podem aparecer crucificados sem causar babalaô nem abalos sísmicos. Mas a musa transex não pode.

Em linhas gerais, rebobinei toda a polêmica até aqui para emitir minha opinião. Não acho que a moça causou menos ou mais repúdio que as duas celebridades comparadas. Tanto Neymar quanto Madonna, assim que suas imagens crucificados foram ventiladas, sofreram reprimendas de todos os graus e de instituições tão diversas quanto as opiniões da família brasileira.

Basta buscar esses farelos de polêmica no porão do Google. Ta tudo lá. Neymar, aliás, sangra até hoje junto à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) por conta do episódio. Eu mesmo colei um chiclete na capa da Placar com o jogador.

Madonna, por sua vez, foi massacrada pela ala conservadora da Igreja. Portanto, dizer que os famosos podem e o transex da Parada Gay não pode é um erro de comparação. Esse olhar é o de quem costuma ver problema em tudo – e não me parece que este seja o quadrado em que o gay quer ser situado.

E só pra finalizar: lá no Grindr, aplicativo de caça gay, já tem selfie de rapaz crucificado, sem camisa, fazendo cara de diva. Na qualidade de gay muito bem resolvido, confesso que não entendi esse tipo de “orgulho”. Vou lá no Face ver se azamigues me deixam inbox explicando… É dura a vida do trapezista!

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1 Comentário

  1. Eric

    Só pra corrigir, não é ” o transexual” e sim “a transexual” ela se identifica como mulher, então o gênero tem de ser respeitado. Do mais, ótimo texto!

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