Antes de criticar, mandar à merda ou se apaixonar por um rio-pretense, é necessário entender o modus operandi e o modus vivendi desse paulista tão sui generis (só para usar mais uma expressão em latim…). Cheios de marra, criatividade, talento e ego (e bota ego nisso), nunca ninguém conseguiu concluir o mapeamento comportamental do rio-pretense.

Tem quem aposte, inclusive, que terminam as obras da Avenida Bady Bassitt, mas não sai o genoma da raça. Crente de que a coisa toda é bem mais simples – e de que o rio-pretense é menos complexo do que imaginam os ribeirão-pretanos, por exemplo, –  o blog estudou e compilou dez características que pontuam o dilema em torno do comportamento do rio-pretense. Em caso de recalque ou indignação sem motivos aparentes, favor apertar a tecla do bom humor. Aceita, brazeeel!

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cultura-vip-merda-620x4131. A FIXAÇÃO POR PULSEIRINHA DE CAMAROTE – Essa cultura de desfilar na balada com 30 pulseirinhas coloridas no braço, denotando poder e gostosura, vem do berço. Mais exatamente do berço da maternidade, no momento em que o rio-pretense nasce e o médico coloca em seu pulso a bendita pulseirinha de identificação. Pronto: está instalada a fixação e o bebê já pensa que berçário é camarote open-bar de leite.

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churrasco_casamento-12. CHURRASCO? TÔ DENTRO! – Se você convidar um rio-pretense para churrasquear em sua casa, não se assuste se ele pedir para dormir no sofá. Rio-pretenses amam churrascos e não têm hora para sair deles. Também é muito natural que ele peça para levar embora a carne que sobrou. Bem como a cerveja e a farofa. Se o churrasco for em algum clube ou chácara, ele vai querer virar sócio ou comprar o local. Disfarce o espanto.

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MG_99903. MANHÊ, NÃO SE PREOCUPE, TÔ NO BAR! – Agora, se o convite for para fazer um happy hour, aí que a relação tempo-distância-de-casa se prolongará de forma indefinida. O bar é a segunda casa do rio-pretense. E ele jura que o culpado por não querer sair do boteco é o clima senegalês que assola Rio Preto de janeiro a março e de maio a dezembro (sim, praticamente o ano inteiro). Ah, e se ele não quiser dividir a conta você diz que vai esparramar para algum colunista social…

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cam4. CARROS, MOTOS, CAMINHONETES… – Rio-pretense a-do-ra tudo o que tem ligação com pneus, volantes, faróis… E quanto maior o veículo (algumas caminhonetes costumam ocupar o lugar de três carros em um estacionamento), maior a chance de ele se exibir, como um pavão misterioso, pelas ruas e avenidas da cidade. O problema é que a maioria não sabe se comportar no trânsito e transforma o fluxo em uma verdadeira sessão de tortura. Todo mundo grita, xinga, ultrapassa, atropela e morre. Não necessariamente nesta ordem.

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anitta-nariz-capivara-065. CAPIVARISMO FASHION – Embora muita gente ache isso, a capivara não é o símbolo oficial da cidade. A relação mais forte do rio-pretense com o carpincho trombudo é mais notada e discutida na balada. Muitas moças, por exemplo, acabam ficando parecidas com capivaras quando se vestem. Ou seja: a maioria sai de casa do mesmo jeito: minissaia, sandália de salto alto, cabelo chapado e cigarro na mão. Portanto, não estranhe se ouvir alguém dizer “A lá o bando de capivara chegando pra animar o camarote open-bar”.

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capivara6. CAPIVARISMO MARCHA LENTA – Feita a relação acima, é importante também fazer outra, mais antropológica, que turbina o folclore entre o rio-pretense e a capivara. Trata-se do comportamento de uma maioria significativa de pessoas que tendem a caminhar nas ruas na mesma velocidade dos roedores. Gente que jura que tem vida eterna, pode reparar. Atravessam a rua devagar, devagarinho, quase parando. Daí o buzinaço e a gritaria que se ouve, no horário do rush, às margens da Represa Municipal. É o rio-pretense fertilizando seu lado herbívoro em slow motion. Uma fofura de se ver…

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1a87. MEU COLUNISTA FAVORITO – Além de um advogado à tiracolo, todo rio-pretense tem um colunista social pronto para defendê-lo em caso de brigas, baphos e discussões. Segundo estudos recentes da socióloga Berenice Du Lar, são dois colunistas para cada grupo de 10 pessoas. O número é tão desproporcional que, dizem nas esquinas, se você chacoalhar uma árvore cai um colunista em sua cabeça.

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mewm8o8. QUAL O SEU SOBRENOME? – Taí uma característica do rio-pretense que desconcerta todo mundo que pisa na cidade pela primeira vez. Ao invés de perguntar de onde a pessoa vem ou qual é seu nome, o rio-pretense logo pergunta qual o seu SOBRENOME. Não boceje, plis. Faz parte da cultura local, a mesma que reza que quem possui sobrenome quilométrico tem mais chances de usar pulseirinhas de camarote (ver tópico 1). E aparecer em alguma coluna social, naturalmente.

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Pago-Bem-Grifes-Famosas-201305102018129. GRIFES, GRIFES, GRIFES… – Também não estranhe a idolatria do rio-pretense por grifes. Há uma lenda que diz que a maioria das pessoas que reencarnou em Rio Preto trabalhava nas antigas oficinas de moda francesas, entre o Paleozoico Fashion e o Mesozoico Brega.  Adendo favorável: na mesma proporção com que usa grifes em cada peça de roupa, o rio-pretense também demonstra enorme bom gosto. No índice almofadinha, só perde para o ribeirão-pretano, que sabe como ninguém combinar polo Burberry com calça Diesel.

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Fotos: Reprodução.

Fotos: Reprodução.

10. SABE DE NADA, INOCENTE – Última e mais infeliz das características que definem o rio-pretense: ele não sabe escolher vereador para representá-lo na Câmara Municipal.  E, depois das eleições, começa a lamentar nas redes sociais o voto jogado no lixo. Sem falar nas manifestações que apoia, meses depois, com o objetivo de ‘guilhotinar’ o vereador que ajudou a eleger.  Hashtag sabe de nada, inocente!