Migas, peguem aqui sua tuppeware da influência digital…

Berenice Du Lar decidiu ser ‘infruencer digital’. Cansou de ser diarista. Na esteira de seus ‘colegas’ rio-pretenses – mais de 1730, segundo pesquisa recente do DataBeck -, fez perfil no Instagram, página no Facebook, comprou um pacote com 20k (vinte mil seguidores) e agora passa o dia postando fotos sobre seu cotiadiano desprovido de gramur.

Mas Berê está chateada. Não entende o porquê de, mesmo tendo comprado 20 mil seguidores, seus posts não chegarem a 100 ‘likes’ (curtidas). E não é só ela quem não entende. Muita gente esperta e debochada também tem se perguntado onde é que vai parar toda essa desconexão com a realidade. Essa falta de óleo de peroba na cara de pau.

Por favor, migas, não fiquem pasmas…

Não é de hoje que este blog vem alertando para o número exorbitante de usuários de redes sociais entregues à carência virtual e à compra de fãs. Não, Pedro Bó, não são apenas os tais ‘influencers’ os únicas a usarem este recurso. É muito GIF pra pouca Gretchen. A coisa tá feia, a coisa tá preta, quem não está na mão de Deus, tá implorando ‘like’ no Instagram. Pode reparar.

E todo esse drama é só a ponta do novelo que começa dentro do quarto, à luz do smartphone, e vai parar no divã do psicólogo. Sim, profissionais desta seara já falam num ‘boom’ de jovens e adultos completamente desamparados emocionalmente por conta da penumbra virtual em que vivem.

Alguém aí falou em carência?

Ninguém me vê, ninguém me curte, logo, sou um total desconhecido. Ignorado. Alijado do clubinho social onde apenas os bacanas, os VIPs, os absurdinhos e descolados são notados. Pausa para um ‘shot’ de realidade.

Esquecem os “ignorados”, entretanto, que é nesse terreno movediço de egos e pseudolikes onde amizades costumam ser financiadas em até 60 vezes. Um negócio muito lucrativo, cujo sucesso estratégico depende da capacidade dos envolvidos em lidar apenas com perdas. Não há ganhos futuros. Somente permutas afetivas aparentes.

Podemos fazer uma permuta, que tal?

Como se vê, é muito simples ser ‘influencer digital’. Basta um bom pacote de seguidores, comprado na calada da madrugada, enquanto o sono não chega. De volta à vida real, o despertador da consciência grita e o dilema se repete: será que a foto da noite anterior, aquela com a ‘tag’ #aboutlastnight teve bastante curtida? A conferir.

É dura a vida do trapezista com insônia…

OMG, que sono…